Ao meu Pai


De onde virá minha atração
Pela abóbada celeste?
Retroagindo no tempo
Posso ver-me pequenina

No colo do meu pai, sentada,
E ele, a lua a apontar
Amoroso a me ensinar
Uma singela canção:

“Bênção dindinha lua
Me dá pão com farinha
Pra eu dar à minha gatinha
Que está presa na cozinha.”

Já mais crescida,
Ele me indicava
Onde se encontrava
A Via Láctea e várias constelações;

E apontando para a cruz
De estrelas formada
Associava-a ao Redentor
Que noutra cruz morreu, por amor!

Quando doente eu ficava,
Toda a noite me velava
Com o coração em prece...

Dos meus devaneios acordo
E dou graças ao Criador
Pelo seu paternal amor.

E lembrando doutro Pedro,
O apóstolo pescador,
Que segundo uma lenda
É da porta do Céu, guardador,

Vejo o meu pai na terra
Com semelhante missão,
A de meu Anjo da Guarda
Que, até hoje, ainda guarda

A porta do meu coração.
Obrigada, meu pai!